SÓ DE SACANAGEM
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!
Elisa Lucinda
sexta-feira, 19 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Faz ele Rí
Us fio tem que entendê
Que siozinho qué rir
Us minino mesmo sofrendo
Tem que aprendê a si diverti
Num basta o sofrimento
Incultado nessa vida
Num basta as mazelas
Vamus esquece as ferida
Antigamente povoação
Hoje é periferia
Zumbi nunca chorou
Morreu na loca corrida
Us encantados foi embora
Se acabaram no bar e na cerveja
Rei Nagô se lamenta
A morte única certeza
Povo guerrero num ri de tudo
Abandonô terrero e esqueceu
Preto evangélico hoje ora
Pai salva filho teu
Mais do céu num vem melhora
Caboclos se entristeceu
Esqueceram os traços e raízes
De um povo que pru zoto viveu.
Muita coisa mudou na estória
capitão mantinha na corrente
A evolução veio sem demora
Hoje o preto pra polícia é delinqüente.
Ferréz
Que siozinho qué rir
Us minino mesmo sofrendo
Tem que aprendê a si diverti
Num basta o sofrimento
Incultado nessa vida
Num basta as mazelas
Vamus esquece as ferida
Antigamente povoação
Hoje é periferia
Zumbi nunca chorou
Morreu na loca corrida
Us encantados foi embora
Se acabaram no bar e na cerveja
Rei Nagô se lamenta
A morte única certeza
Povo guerrero num ri de tudo
Abandonô terrero e esqueceu
Preto evangélico hoje ora
Pai salva filho teu
Mais do céu num vem melhora
Caboclos se entristeceu
Esqueceram os traços e raízes
De um povo que pru zoto viveu.
Muita coisa mudou na estória
capitão mantinha na corrente
A evolução veio sem demora
Hoje o preto pra polícia é delinqüente.
Ferréz
quinta-feira, 21 de maio de 2009
É tempo de mudança!
Porque mudar, às vezes, é preciso... querendo ou não.
Faz bem para a alma, nos fortalece.
E quem sabe assim, encontro o que tanto procuro (apesar de não saber exatamente o que procuro).
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,
que já tem a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia:
e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos."
[Fernando Pessoa]
Porque mudar, às vezes, é preciso... querendo ou não.
Faz bem para a alma, nos fortalece.
E quem sabe assim, encontro o que tanto procuro (apesar de não saber exatamente o que procuro).
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,
que já tem a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia:
e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos."
[Fernando Pessoa]
terça-feira, 5 de maio de 2009
Repudiando...
Eunápolis, Bahia 17 de Abril de 2009
Prezado Luís Inácio Lula da Silva,
Venho argumentar algumas contradições em determinadas instituições onde dizem que não tem uma organização preconceituosa, seja física, social ou racial. Sendo que se observarmos em que cargo estão os negros e quais seus salários? Muito embora, abaixo dos cargos e salários dos homens negros, estão as mulheres negras.
Seja em empresas, escolas, hospitais, novelas, inclusive a questão dos bairros. Normalmente, moram em periferias das grandes metrópoles. Onde encontramos a ausência de qualquer aparato estatal. Condições precárias de moradia e, uma intensa exploração do trabalho infantil e feminino.
Tendo uma relação com o passado, onde os escravos eram negros e os senhores brancos. Então, o que estamos vivendo além de uma escravidão nos dias atuais? Esses salários querem nos transparecer que a “coisa” realmente não mudou, a única diferença é que agora estamos em uma sociedade moderna, mas com pensamentos tão primitivos.
Exemplos são o que não faltam: falta de negros nos cargos superiores (presidência, diretorias, consulados, prefeituras entre outros). E ainda dizem que não vivemos em um país preconceituoso e, sempre que podem ressaltam que o nosso Brasil é mestiço. Será que podemos acreditar neles?
As cotas para negros é uma solução imediata para adiar a questão do racismo no Brasil. Antes dessas, o número de negros nas faculdades era inferior, mas graças elas vem aumentando a ingressar os negros nas faculdades. Mas, o óbvio seria que eles começassem a existir, já que é questionada a falta de conhecimentos. Porém, não é assim que acontece e, sabemos que enquanto não crescermos, continuará a ser esse país que não valoriza sua cultura.
Quando começaremos a mudar isso? Se continuarmos a acreditar nisso, onde iremos parar? Como podemos dizer que a maioria da população negra é pobre se não dermos oportunidades para que isso não aconteça? Isso deixa para o senhor responder. Agindo. A meu ver, acho que essa é à hora de usufruir um pouco da sociologia e deixar a filosofia de fora.
Atenciosamente, Andressa Alves,
estudante do Curso Integrado de Informática
do Instituto Federal da Bahia – Campus Eunápolis.
Prezado Luís Inácio Lula da Silva,
Venho argumentar algumas contradições em determinadas instituições onde dizem que não tem uma organização preconceituosa, seja física, social ou racial. Sendo que se observarmos em que cargo estão os negros e quais seus salários? Muito embora, abaixo dos cargos e salários dos homens negros, estão as mulheres negras.
Seja em empresas, escolas, hospitais, novelas, inclusive a questão dos bairros. Normalmente, moram em periferias das grandes metrópoles. Onde encontramos a ausência de qualquer aparato estatal. Condições precárias de moradia e, uma intensa exploração do trabalho infantil e feminino.
Tendo uma relação com o passado, onde os escravos eram negros e os senhores brancos. Então, o que estamos vivendo além de uma escravidão nos dias atuais? Esses salários querem nos transparecer que a “coisa” realmente não mudou, a única diferença é que agora estamos em uma sociedade moderna, mas com pensamentos tão primitivos.
Exemplos são o que não faltam: falta de negros nos cargos superiores (presidência, diretorias, consulados, prefeituras entre outros). E ainda dizem que não vivemos em um país preconceituoso e, sempre que podem ressaltam que o nosso Brasil é mestiço. Será que podemos acreditar neles?
As cotas para negros é uma solução imediata para adiar a questão do racismo no Brasil. Antes dessas, o número de negros nas faculdades era inferior, mas graças elas vem aumentando a ingressar os negros nas faculdades. Mas, o óbvio seria que eles começassem a existir, já que é questionada a falta de conhecimentos. Porém, não é assim que acontece e, sabemos que enquanto não crescermos, continuará a ser esse país que não valoriza sua cultura.
Quando começaremos a mudar isso? Se continuarmos a acreditar nisso, onde iremos parar? Como podemos dizer que a maioria da população negra é pobre se não dermos oportunidades para que isso não aconteça? Isso deixa para o senhor responder. Agindo. A meu ver, acho que essa é à hora de usufruir um pouco da sociologia e deixar a filosofia de fora.
Atenciosamente, Andressa Alves,
estudante do Curso Integrado de Informática
do Instituto Federal da Bahia – Campus Eunápolis.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Carolina
Chico Buarque/1967
Carolina
Nos seus olhos fundos
Guarda tanta dor
A dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei que não vai dar
Seu pranto não vai nada mudar
Eu já convidei para dançar
É hora, já sei, de aproveitar
Lá fora, amor
Uma rosa nasceu
Todo mundo sambou
Uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo
Pela janela, ói que lindo
Mas Carolina não viu
Carolina
Nos seus olhos tristes
Guarda tanto amor
O amor que já não existe
Eu bem que avisei, vai acabar
De tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar
Agora não sei como explicar
Lá fora, amor
Uma rosa morreu
Uma festa acabou
Nosso barco partiu
Eu bem que mostrei a ela
O tempo passou na janela
Só Carolina não viu
Carolina
Nos seus olhos fundos
Guarda tanta dor
A dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei que não vai dar
Seu pranto não vai nada mudar
Eu já convidei para dançar
É hora, já sei, de aproveitar
Lá fora, amor
Uma rosa nasceu
Todo mundo sambou
Uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo
Pela janela, ói que lindo
Mas Carolina não viu
Carolina
Nos seus olhos tristes
Guarda tanto amor
O amor que já não existe
Eu bem que avisei, vai acabar
De tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar
Agora não sei como explicar
Lá fora, amor
Uma rosa morreu
Uma festa acabou
Nosso barco partiu
Eu bem que mostrei a ela
O tempo passou na janela
Só Carolina não viu
João e Maria
Sivuca - Chico Buarque/1977
Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você
Além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock
Para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigada a ser feliz
E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Sim, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim
Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você
Além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock
Para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigada a ser feliz
E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Sim, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim
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